Nova decoração em casas prioriza espaços leves, funcionais e adaptados à rotina dos moradores; entenda
Com o crescimento das residências planejadas nas capitais brasileiras, escritórios mostram que a fluidez do espaço e as necessidades diárias devem ditar o design de interiores, deixando o visual como a ‘cereja do bolo’.
Você é ‘team’ estética ou prefere a funcionalidade? Seja em apartamentos ou casas, saber o que priorizar na hora de planejar o imóvel, do acabamento à marcenaria, é fundamental para não onerar o orçamento e evitar arrependimentos.
Com a tendência de lares planejados, de uma forma mais funcional tomando contas de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, os moradores precisam travar uma competição entre o ‘belo’ e ‘o que funciona’, após a verticalização dos lares.
Crédito: Dander Freitas (Projeto Cheio de Bossa)
Passar essa barreira, sem abrir mão de uma ou outra vertente, é o principal desafio da arquitetura residencial contemporânea. Segundo a arquiteta Rafaela Giudice, o dilema entre estética e funcionalidade orienta todo o processo criativo, começando o projeto com a escuta ativa e a investigação dos hábitos de cada morador.
“O ponto de partida é sempre a rotina e as necessidades diárias do morador. Aqui, a estética entra como consequência desse entendimento, quase como uma camada final que organiza e traduz tudo o que é funcional. Sem necessariamente precisar que uma se desvincule da outra”, explica.
À frente do escritório BESPOKE Dela, Rafaela costuma propor “tarefas de casa” que estimulam a reflexão para o morador: o que faz sentido no dia a dia? O que é desejo passageiro e o que é necessidade estrutural? A partir dessas respostas, referências e anseios dos moradores, a arquiteta consegue revelar as intenções de moradia.
Crédito: Dander Freitas (Projeto Taquinho)
Mesmo assumindo projetos de estéticas completamente distintas, a arquiteta afirma que há categorias inegociáveis quando se fala em moradia, como fluidez espacial, iluminação e funcionalidade aplicada à rotina.
“Nem tudo que o cliente deseja é possível de ser executado. Eu trago um exemplo. Às vezes o sonho do cliente é uma cama king e o que cabe, de forma confortável, é uma cama de casal. Isso não diz respeito exclusivamente à estética, mas sobre fluidez e volumetria de espaço”, comenta a arquiteta.
Ainda segundo a arquiteta, o mercado exige respostas que unam a máxima otimização de cada metro quadrado ao bem-estar e à identidade de quem habita. Nesse cenário, a criação do projeto passa a traduzir modos de vida, equilibrando uso inteligente da planta, conforto e identidade sem entrar no dilema estético e funcional.
“Antes, a busca por layouts instagramáveis e tendências rígidas de decoração muitas vezes sufocavam a dinâmica real da casa. O resultado eram espaços visualmente impecáveis, mas pouco práticos para as exigências do dia a dia”, conta.
Conheça 5 projetos do escritório BESPOKE DELA para se inspirar:
Projeto Be Bold: marcado pela cor e audácia estrutural, o projeto Be Bold desafia as barreiras convencionais da área íntima ao trazer um banheiro com paredes de vidro totalmente integrado ao quarto, unindo sofisticação e máxima transparência.
Projeto Cheio de Bossa: provando que a funcionalidade pode reconfigurar todo um espaço, os moradores do Cheio de Bossa aceitaram reduzir as dimensões de um dos quartos para criar um lavabo com uma entrada mais reservada e oculta. Com uma paleta neutra, a personalidade do layout revela-se nos detalhes de circulação.
Projeto Taquinho: com uma atmosfera marcante, o apartamento deste morador que vive sozinho exibe tons de preto, verde-escuro e o calor da madeira n
o piso. O grande destaque foi a introdução de uma churrasqueira na área social, com o espaço da antiga sala de jantar dando lugar a um ambiente gourmet integrado no centro da sala.
Projeto Contraste: nessa planta, o morador opta por abrir mão totalmente da tradicional mesa de jantar para conquistar uma sala de estar ampliada, voltada para receber amigos de forma descontraída e informal. O jogo de opostos reflete-se nos quartos, apostando na densidade do preto, enquanto o quarto de visitas assume uma base neutra.
Projeto Amoroso: este sobrado, por outro lado, quebra expectativas ao não incluir uma suíte na sua configuração, uma decisão consciente dos clientes que não viam sentido nessa divisão. Em contrapartida, a cozinha abre-se inteiramente para a área externa da casa, promovendo uma integração total com o jardim e a luz natural.
“Hoje, há uma mudança nítida nos lares. Cada pessoa vive de um jeito e tem prioridades diferentes. A estética continua importante, mas deixa de ser ponto de partida e passou a ser consequência de um projeto bem resolvido. O mais importante é que a casa funcione para a rotina e que seja do gosto do cliente, não dependente de tendências ou modismos”, conclui a arquiteta.
Texto: Nicholas Costa // ASSESSORIA DE IMPRENSA
Crédito: Dander Freitas
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