Imposto de Renda 2026: como descobrir se você caiu na malha fina e o que fazer para regularizar a situação


Com o encerramento do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026, muitos contribuintes passam a acompanhar com atenção o processamento da declaração junto à Receita Federal. Um dos maiores receios é descobrir que a declaração ficou retida em malha fina, situação que pode atrasar restituições e exigir correções por parte do contribuinte.

 

Postado terça-feira 09/06/2026 por Redação

Categorias: Design Empresas Notícias

Imposto de Renda 2026: como descobrir se você caiu na malha fina e o que fazer para regularizar a situação
Imposto de Renda 2026: como descobrir se você caiu na malha fina e o que fazer para regularizar a situação

 


De acordo com o contador e especialista em gestão tributária **André Charone**, a malha fina ocorre quando a Receita Federal identifica inconsistências, divergências ou informações que precisam ser esclarecidas antes da conclusão da análise da declaração.

 


“Cair na malha fina não significa necessariamente que houve fraude ou má-fé. Na maioria dos casos, estamos falando de erros de preenchimento, omissão de rendimentos ou divergências entre os dados informados pelo contribuinte e aqueles recebidos pela Receita Federal por meio de empresas, bancos, planos de saúde e outras instituições”, explica André Charone.

 


Como saber se a declaração caiu na malha fina?

 


Segundo Charone, a consulta pode ser realizada de forma simples por meio do portal e-CAC, disponível no site da Receita Federal.

 


“O contribuinte deve acessar sua conta Gov.br e entrar no Centro Virtual de Atendimento da Receita Federal. Lá é possível consultar o extrato da declaração e verificar se existe alguma pendência ou retenção em malha fiscal”, orienta.

 


Caso sejam encontradas inconsistências, o próprio sistema costuma indicar os motivos que levaram à retenção da declaração.

 


Principais motivos que levam à malha fina

 


Entre os erros mais comuns estão:

 


• Omissão de rendimentos próprios ou de dependentes;

 


• Divergências nos valores informados por fontes pagadoras;

 


• Erros na declaração de despesas médicas;

 


• Informações incorretas sobre dependentes;

 


• Diferenças entre os rendimentos declarados e os informados por instituições financeiras;

 


• Falhas no preenchimento de ganhos de capital ou operações em bolsa de valores.

 


“As despesas médicas continuam sendo uma das principais causas de retenção. Por isso, é fundamental guardar recibos, notas fiscais e documentos que comprovem os gastos declarados”, alerta Charone.

 


E quem não entregou a declaração? Pode ter problemas com a Receita?

 


Segundo André Charone, muitas pessoas acreditam que apenas quem enviou a declaração pode enfrentar problemas junto à Receita Federal, mas a realidade é diferente.

 


“Quando uma pessoa era obrigada a declarar e não entregou o Imposto de Renda, ela não entra tecnicamente na malha fina, porque não existe uma declaração para ser analisada. Porém, isso não significa que está livre de fiscalização. A Receita Federal possui mecanismos de cruzamento de dados cada vez mais sofisticados e consegue identificar contribuintes que deveriam ter declarado e não cumpriram essa obrigação”, explica.

 


O especialista destaca que informações fornecidas por empresas, instituições financeiras, operadoras de cartão de crédito, planos de saúde, cartórios e corretoras de investimento permitem que a Receita tenha acesso a uma ampla movimentação financeira dos contribuintes.

 


“Quem deixou de declarar pode verificar sua situação fiscal acessando o portal e-CAC com a conta Gov.br. Lá é possível consultar eventuais pendências e acompanhar notificações emitidas pela Receita Federal”, afirma.

 


Segundo Charone, a falta de entrega da declaração pode gerar consequências que vão além da multa por atraso.

 


“O contribuinte pode ficar sujeito a penalidades financeiras, cobranças futuras de tributos, além de enfrentar dificuldades em algumas operações que exigem regularidade fiscal. Por isso, é importante verificar a situação o quanto antes e providenciar a regularização, caso exista alguma pendência”, orienta.

 


O que fazer se a declaração estiver retida?

 


A recomendação é agir rapidamente após identificar a pendência.

 


“Se o contribuinte perceber que cometeu algum erro, pode transmitir uma declaração retificadora para corrigir as informações. Quanto mais cedo a situação for regularizada, maiores são as chances de evitar problemas futuros e receber eventual restituição sem atrasos prolongados”, afirma.

 


Nos casos em que a Receita solicitar comprovação documental, é importante reunir toda a documentação necessária e acompanhar os comunicados oficiais.

 


Atenção a golpes

 


André Charone também alerta para o aumento de tentativas de fraude durante o período de processamento das declarações.

 


“A Receita Federal não solicita dados bancários nem informações pessoais por aplicativos de mensagens. O contribuinte deve desconfiar de e-mails, SMS ou mensagens que informem supostas pendências e sempre consultar diretamente os canais oficiais da Receita”, destaca.

 


Planejamento evita problemas

 


Para o especialista, a melhor forma de evitar a malha fina é manter a organização financeira durante todo o ano.

 


“Guardar comprovantes, solicitar informes de rendimentos e revisar cuidadosamente todos os dados antes do envio da declaração são medidas simples que reduzem significativamente o risco de inconsistências e garantem mais tranquilidade ao contribuinte”, conclui André Charone.

 


Sobre André Charone

 

André Charone é contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). 

 

É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. 

 

Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional. 

 

Texto: Rodrigo Almeida

Imagem: divulgação

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