Fim da escala 6x1 exige revisão de custos, equipes e contratos, alerta especialista da RZ3
Estimativas da consultoria apontam aumento de 10% no custo da hora trabalhada quando a jornada chegar a 40 horas semanais; empresas precisam planejar a transição
A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado Federal, em 14 de outubro, abre uma nova etapa para as empresas brasileiras: planejar como adaptar suas operações à redução da jornada de trabalho sem comprometer a produtividade e as margens. Embora a proposta já tenha passado pelo Senado, a mudança ainda depende de promulgação para que os prazos de transição comecem a contar.
Para Junior Rozante, CEO da RZ3, especialista em estratégia empresarial, gestão e transformação organizacional, o desafio vai além de reorganizar os dias de trabalho. Será necessário rever o dimensionamento das equipes, os custos com pessoal, os contratos de prestação de serviços e a própria organização das operações.
“As empresas precisam começar a fazer as contas agora. A redução da jornada não significa, automaticamente, que será possível manter a mesma operação com a mesma estrutura. Cada negócio terá de avaliar como redistribuir as horas de trabalho, cobrir os períodos de maior demanda e preservar a produtividade”, afirma Rozante.
Custo da hora pode subir 10%
Estimativas da própria RZ3 indicam que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar em 10% o custo da hora trabalhada, considerando um salário mensal de R$ 2.200. Na etapa intermediária, com jornada de 42 horas semanais, a alta estimada é de 4,8%.
Na simulação, o valor da hora normal passa de R$ 10 para R$ 11 quando a jornada chega a 40 horas semanais. O cálculo é ilustrativo e considera os divisores mensais adotados no documento da consultoria.
O impacto sobre o custo total dependerá das características de cada empresa e das medidas adotadas para adequar a operação. Entre as alternativas estão a contratação de profissionais, a reorganização dos turnos, o uso de horas extras dentro das regras aplicáveis e, em alguns casos, a revisão dos horários de atendimento.
“O ponto central é entender que a redução da jornada exige planejamento operacional e financeiro. Sem uma análise prévia, a empresa pode acabar absorvendo custos que não estavam previstos ou tomando decisões emergenciais que prejudiquem o atendimento e os resultados”, diz o executivo.
Setores com operação contínua enfrentam maior desafio
Segundo as estimativas da RZ3, supermercados e atacarejos, comércio varejista, bares, restaurantes, hotelaria e turismo estão entre as atividades potencialmente mais impactadas. São segmentos que precisam manter o atendimento nos fins de semana, feriados ou durante longos períodos do dia, muitas vezes com equipes dimensionadas para escalas de seis dias de trabalho por um de descanso.
Nesses casos, garantir dois dias de repouso semanal pode exigir a ampliação do quadro de funcionários ou a redistribuição das equipes. Em restaurantes, por exemplo, será necessário assegurar cobertura nos horários de pico. Em hotéis e operações logísticas, a continuidade do serviço torna o planejamento das escalas ainda mais importante.
A RZ3 também destaca os possíveis efeitos sobre empresas de segurança privada, limpeza e facilities, especialmente aquelas que trabalham com contratos de preço fixo. Se os custos de pessoal aumentarem durante a vigência de um contrato, mas o valor recebido permanecer inalterado, a margem da prestadora poderá ser pressionada.
“A mudança também precisa entrar na conta dos contratos. Empresas que prestam serviços com equipes alocadas devem avaliar as condições de reajuste e reequilíbrio econômico-financeiro, para que a nova estrutura de custos não comprometa a sustentabilidade do negócio”, afirma Rozante.
Adequação exige revisão de escalas e acordos
O documento elaborado pela RZ3 prevê uma transição em duas etapas, contadas a partir da publicação da emenda constitucional. Conforme o cronograma apresentado, a jornada semanal passaria a 42 horas após dois meses e chegaria a 40 horas após 14 meses. A proposta também prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial.
A adequação exigirá o levantamento das jornadas praticadas, a revisão das escalas e dos controles de ponto, a análise dos acordos e convenções coletivas e a avaliação dos custos de folha. Contratos com clientes também devem ser examinados, sobretudo quando a prestação do serviço depende de equipes em funcionamento contínuo.
Para Rozante, antecipar esse diagnóstico permitirá que as empresas comparem cenários e negociem ajustes antes da entrada em vigor das novas regras.
“O melhor caminho é transformar o prazo de transição em uma oportunidade de planejamento. Mapear as jornadas, simular os custos e avaliar alternativas de organização do trabalho ajuda a reduzir improvisos e a tomar decisões mais consistentes para o negócio”, conclui.
Sobre a RZ3 - A RZ3 é uma consultoria especializada em estratégia, tecnologia, governança, dados e transformação empresarial, atuando em diferentes verticais de negócios com foco em inovação, eficiência operacional e crescimento sustentável.
Texto: LILÁS COMUNICAÇÃO
Imagem: divulgação
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