40% dos brasileiros querem morar fora do país; especialista explica o que considerar antes de emigrar
Interesse em construir uma vida no exterior é maior entre os jovens e acompanha o crescimento da comunidade brasileira fora do país; advogada internacionalista aponta cuidados jurídicos e desafios do planejamento migratório
Morar fora do Brasil deixou de ser apenas um projeto distante para uma parcela significativa da população. Segundo levantamento do Observatório Febraban, divulgado em dezembro de 2025, 40% dos brasileiros afirmam ter interesse em viver no exterior. O percentual é ainda mais expressivo entre as gerações mais jovens: chega a 50% entre os integrantes da Geração Y e a 44% na Geração Z. A pesquisa, realizada pela Febraban em parceria com o IPESPE, ouviu 3 mil pessoas em todas as regiões do país.
O interesse acompanha uma comunidade brasileira que já soma milhões de pessoas vivendo além das fronteiras nacionais. De acordo com estimativas do Ministério das Relações Exteriores, aproximadamente 5,3 milhões de brasileiros residiam no exterior em 2025. Estados Unidos, Portugal, Paraguai e Japão estão entre os principais destinos. O cenário evidencia a dimensão da mobilidade internacional brasileira e levanta uma questão importante: o que é necessário para transformar o desejo de morar fora em um projeto concreto?
Para Ana Carolina Vieira de Freitas, advogada internacionalista e especialista em mobilidade global, a decisão de emigrar envolve fatores que vão muito além da escolha de um país. “O interesse em morar fora costuma reunir diferentes motivações, como busca por oportunidades profissionais, qualidade de vida, segurança, educação e estabilidade financeira. Mas existe uma diferença importante entre desejar viver no exterior e estar juridicamente preparado para isso. Cada país possui exigências próprias, e o planejamento precisa começar antes mesmo da mudança”, explica.
Entre os destinos mais procurados, a Europa e a América do Norte concentram boa parte do interesse dos brasileiros. Portugal, Itália e Espanha aparecem entre as alternativas europeias, enquanto Estados Unidos e Canadá seguem como opções relevantes para quem busca oportunidades profissionais e acadêmicas. A escolha, entretanto, precisa considerar aspectos como possibilidade de obtenção de visto, reconhecimento de diplomas, autorização para trabalhar, custo de vida e acesso a serviços públicos.
Um dos principais desafios está justamente na regularização migratória. A entrada como turista não significa autorização para trabalhar ou estabelecer residência permanente, e as possibilidades de mudança de status variam conforme a legislação de cada país. “É comum que as pessoas comecem o planejamento pela passagem aérea ou pela escolha da cidade, quando deveriam começar pela análise da própria elegibilidade migratória. É preciso entender qual categoria de visto se encaixa no perfil do interessado, quais documentos serão exigidos e quais são os prazos envolvidos”, destaca Ana.
A mobilidade internacional também deixou de ser uma questão exclusivamente individual. Empresas brasileiras que contratam profissionais estrangeiros, transferem funcionários ou pretendem expandir suas operações para outros mercados precisam considerar a legislação migratória como parte da estratégia de negócios. Nesse contexto, a atuação de especialistas em mobilidade global ganha relevância para orientar processos de transferência internacional, regularização documental e estruturação de operações em outros países.
Na avaliação da advogada, o crescimento do interesse em emigrar reforça a necessidade de profissionalização desse planejamento. “Mudar de país é uma decisão que pode transformar a trajetória de uma pessoa ou de uma família, mas também envolve riscos quando feita sem orientação adequada. O planejamento migratório permite antecipar obstáculos, avaliar alternativas legais e evitar que um projeto de vida seja comprometido por erros documentais ou desconhecimento das regras locais”, conclui.
Texto: Leonardo Minardi
Imagem: divulgação
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