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A parte está no todo ou o todo está na parte ?

A parte está no todo ou o todo está na parte ?

Por Ivo Cansan

Adoro as ciências exatas. Como economista, aprendi que a matemática é uma fonte eterna de inspiração (ou pavor) de quem está sendo desafiado para resolver uma questão importante. Existe nesta ciência, a teoria dos conjuntos, e nela duas coisas chamam minha atenção. Existe mesmo conjunto vazio? Se consideramos que a soma de elementos é que compõe o conjunto, é estranho pensar em um conjunto vazio. Verdade? Ainda nesta linha de pensamento, pergunto-me com frequência sobre a noção de “contém” ou de “estar contido”. Se um objeto contém algo, fica fácil. Por exemplo, a lata de tinta, contém….tinta.  Mas e estar contido? Fazemos parte de um universo. Se o compomos, temos dentro de nós também pequenas frações disso tudo? É bem provável, sim? Agora, linkando estes pensamentos ao nosso mundo moveleiro, indústria e comércio, é possível que consigamos extrair uma super lição estratégica para nossos negócios.

De forma geral, vamos pensar no passado do mobiliário no Brasil:existia um conjunto de pessoas que imaginavam uma função para aquela peça, essas pessoas organizavam-se afim de elaborar um “desenho”, selecionar as matérias-primas, e o próximo passo seria a fabricação, artesanal, em série ou com qualquer outro formato de produção. Se estas peças faziam parte da solução dos problemas dos consumidores, isto é uma outra história. Mas e na atualidade, você percebeu alguma diferença nos últimos 40,30,20,10 anos atrás? Se sua resposta for sim, você está cometendo um sério pecado: o da precipitação. Muita coisa mudou, claro! Concordo contigo. Mas pode-se afirmar que a evolução está acontecendo por partes. A forma de comprar mudou. Antes, era preciso ir até uma loja, olhar quase que sem tocar no produto, e se gostasse da aparência, levava para casa e então iria descobrir como funcionava ou montava. Muitas vezes os produtos ficavam obsoletos, e não conhecíamos todas as suas funções. A internet também ajudou muito no quesito atendimento ao comprador. Catálogos digitais, vídeos, fotos, renders, redes sociais. É provável também, que os consumidores saibam mais sobre o seu produto do que você. Ah sim, eles também mudaram! Gostam de ler ou visualizar, as “bulas” dos produtos antes de comprar. Conferem o Reclame Aqui, facebook, instagram e tantos outros canais de relacionamento virtual; que seria até difícil discutir com eles em qualquer instância. Se ainda restar dúvida com relação ao conforto, maciez do tecido ou qualquer outra situação, vão até a loja física. É possível também comprar através da TV. Sim, naquele botãozinho que fica na lateral da tela, que você nunca clicou. Tantas formas novas de comprar não é? Tantas possibilidades. Mas devemos voltar ao processo produtivo. Como evoluiu? Indústria  4.0. Novas matérias-primas. Acabamentos. Acessórios. Máquinas high-tech, sistemas de controle, maior eficiência, agilidade, logística inteligente. Fábricas inteiras, praticamente sem colaboradores. Mas voltando ao início do texto, por favor me responda: a parte está no todo, ou o todo está na parte? Quando é que vamos realmente perguntar para os usuários o que eles desejam? Quais materiais devemos construir os móveis? (Talvez alguns reciclados, ou biodegradáveis… sei lá!). Como vão usar, que tipo de experiência desejam ter com estas peças? A multifuncionalidade não pode se limitar à uma simples tomadinha acessória para carregar o celular. Elas devem ser pensadas para realmente trazer beleza, conforto, bem-estar. Peças que de forma simples e rápida sofram metamorfose e supram as necessidades das pessoas em várias situações. Que tornem o mundo melhor e mais sustentável. Que nossos filhos e netos tenham orgulho das mudanças que trouxemos para o mundo. Talvez devêssemos descontruir para construir. Entender a essência da utilização. Da anatomia humana e sua evolução. E então, os resultados nos levarão às ciências exatas novamente. Se fazemos parte do todo, porque nos contentar com a opinião de lentes parciais, como a de um gerente industrial fantástico, mas que nunca pisou fora da indústria, rumo a uma única semana de experiência na casa dos consumidores que a empresa visa atender? De projetistas incríveis que fazem milhares de contas junto dos softwares e muitas vezes, baseados em bibliotecas prontas, que oferecem algo que não passará nem perto de surpreender os usuários? O fato é que não será mais possível pensar em mobiliário e vendas, como sendo um conjunto descoordenado de esforços.  A questão estratégica vai conter todas as outras, mas o pensamento estratégico estará contido no conjunto de esforços que as empresas terão de fazer para garantir o sucesso comercial.  Parece confuso? Mas é mesmo. Ainda estamos aprendendo a lidar com todas estas coisas, mas são as empresas que estão fazendo isso melhor, que estão valendo mais no mercado.  Vou exemplificar esta situação com um case real. Você já entrou em uma loja para comprar um filme fotográfico para sua máquina? E tão logo pôde, depois de tirar 12,24 ou 36 “poses” levou para revelar? Porém, a empresa, responsável pela marca destes filmes fotográficos pediu concordata alguns anos atrás mesmo sendo a número 1 do mercado, e tendo uma capacidade de vendas gigantesca! Sendo assim, neste momento é importante realizar um exercício de reflexão:  imagine sua empresa integrando diversas estruturas, em busca de atender melhor seus clientes, e envolvendo também a sua produção. Já existem lojas sem atendentes e fábricas sem operários. Mas ainda não existem empresas bem sucedidas sem clientes. Pense nisso!

 

 

 

 

Por Redação Grupo Multimídia

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